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das plantinhas


Ter plantas em casa é como adotar um bicho de estimação. Se você quer muito ter, tem que cuidar e para isso, dedicar tempo. Não adianta encher a casa de plantas e ser negligente, pois em pouco tempo o que você vai ter é um cemitério de plantas secas, o que é uma crueldade cas plantínea. Cuidar de plantas tem que ser um prazer, e não um “sacrifício”. Não pode ter “nojinho” de colocar a mão na massa, tem que saber lidar com frustrações, pois mesmo cuidando bem delas pragas podem tomar conta de uma ou de todas. Por isso a regra de ouro é observar.

Duas das lembranças mais vívidas da minha infância correspondem a dois lugares distintos, nos quais passei muito tempo: um, o quintal dos meus avós paternos e o outro, a sala do apartamento onde moramos por boa parte da minha infância.

Meus avós moravam num casarão português, daqueles que são umas ‘tripas’ de casa, com escadas e um quintal nos fundos. Muitas e muitas plantas, o pé de louro, lesmas, passarinhos, uma parreira, umidade, o piso de ladrilhos hidráulicos (<3), o cheiro de funcho, a compostagem que meus avós faziam no fundo do quintal, o depósito do vô nos fundos do quintal. Era tudo muito mágico, e na memória que guardei desse lugar, o quintal era enorme. Com o passar dos anos percebi que é uma área pequena, mas igualmente mágica.

Mais ou menos nessa época meus pais, eu e meus irmãos morávamos num prédio de apartamentos em frente à casa dos meus avós. Mudamos para lá logo que minha irmã nasceu (eu tinha uns dois anos de idade) e ali ficamos até meus 10 anos. Lembro que minha mãe tinha muitas plantas na sala de casa, a impressão que levei comigo era que vivíamos numa floresta. Muitas samambaias, avenca, e muitas violetas.

Comecei a ter plantas em casa, em quantidade, a partir de 2013. Na época dividia apartamento e minha roommate, que não tinha uma única planta em casa, concordou. Como não havia espaço suficiente no quarto, foi e é sempre legal consultar quem mora com você. Alguns meses depois mudei para a rua ao lado, mas no mesmo quarteirão, para um apartamento térreo, cuja janela do meu quarto dava para uma área interna do prédio. Era o melhor local para ter plantas, pois a sala era muito mal iluminada por conta da distribuição dos cômodos e a roommate desse apartamento não ligava muito para plantas. Nessa época cheguei a ter mais de trinta vasos de plantas, que moravam no parapeito da janela e num cavalete que ficava junto à janela.

Ainda morei em mais dois endereços no Rio, em Laranjeiras (saudades, Laranjeiras) dividindo apartamento e carregando minhas plantas comigo em cada mudança até me mudar para Curitiba e poder finalmente morar sozinha. Infelizmente não pude levar as plantas que estavam comigo, mas as deixei em boas mãos, com a última roommate que as adotou. Como minha mudança não tinha data para ser entregue – pois dependia de encontrar um lugar para morar antes de receber minhas coisas, ficou tudo encaixotado num depósito da transportadora.

E foi aqui que resolvi buscar as lembranças da infância e decidi que teria plantas, muitas plantas em casa. Não muito tempo atrás li a notícia de uma moça que cultiva mais de 500 plantas dentro de casa. Acho lindo, mas meu objetivo não é bater recordes ou me preocupar com números (é igual tatuagem, gente, parei de contar faz muitos anos), até porque novamente, ter plantas em casa é um prazer aliado à uma necessidade pessoal de ter vida dentro de casa. E cada planta é uma vida que se deve tratar com respeito.

Por ser muito caseira, sempre foi uma meta pessoal transformar meu canto num lar. Por muitos anos não tive grana ou liberdade para mexer na decoração de onde morei, e foi apenas de uns anos para cá que isso começou a mudar. Adotar plantas foi a solução em muitos desses lares onde eu não podia mexer em mais nada.

Quanto a métodos para o cuidado de plantas, isso depende muito da planta que você decidir adotar. O que aprendi foi fruto de prática e curiosidade. Pesquisar, trocar ideias e consultar pessoas que trabalham em floriculturas é excelente, mas abra o olho com conselhos muito genéricos do tipo: “rega uma vez por semana”. Se isso for dito para qualquer planta, vá atrás de mais informação.

O que costumo fazer é prestar atenção nas minhas plantas, diariamente. Se começam a murchar, é porque estão sem água, e às vezes regar não é o suficiente. No caso das plantas que ficam suspensas, o que me ajudou a salvá-las (pois mesmo regando continuavam com as folhas murchas) foi colocá-las dentro de uma bacia com uns dois, três dedos de água no máximo por uns 20 minutos, a cada três dias, aproximadamente. Mas isso varia de acordo com o clima de onde você mora, se seu apartamento fica com as janelas fechadas o dia inteiro ou não. O mais importante no cuidado com plantas é saber observar. Se a superfície do vaso estiver seca, regue. Outro fator bem importante é escolher vasos com furos na base, para escoar a água excedente. Não queremos apodrecer as raízes, certo?

Plantas precisam de claridade. Algumas, de sol direto, enquanto que outras não toleram sol direto. Por isso é sempre bom pesquisar sobre o tipo de planta que se pretende adotar. Com base nisso você vai escolher os melhores lugares da sua casa para coloca-las, e tem que haver esse tipo de preocupação porque ficar mudando as plantas de lugar muito seguido não é bom.

Num próximo post vou falar das plantas que tenho em casa atualmente.

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10 thoughts on “das plantinhas

  1. Jéssica M. says:

    Amei saber a sua história com as plantinhas e super concordo com a consciência de que devemos ter ao cuidar delas, não adianta ter só por ter né? Vou amar saber mais sobre as suas experiências e dicas (também né?) sobre suas plantinhas 🙂

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