caro diário

quem é vivo sempre aparece

*espanando a poeira*

Pois a vida aprontou mais uma das suas (meu último contrato de trabalho encerrou no final de março e venho a ver navios em termos de vagas de emprego desde então.) e passei um bom tempo sem vontade de escrever. Mas s(m)eus problemas acabaram! – Na verdade, não, os problemas nunca acabam, o que pode mudar é a tua atitude em relação a eles, uma das poucas coisas sobre as quais podemos ter algum controle nessa vida.

Não vim aqui apenas tirar a poeira do blog e chorar as pitangas. Tenho algumas novidades para anunciar: em breve mudarei o conteúdo para um domínio próprio e estou empolgada trabalhando nos detalhes do layout. Como faz muito tempo mesmo que não mexo no Photoshop para fins de ~layoutar~, deve ser algo bem simples mesmo. Taí o banner novo que não me deixa mentir <3.

Tem dois posts no forno para sair antes da mudança do blog: um sobre minha rotina de cuidados com os cabelos (por conta desta postagem no Instagram) e outro sobre as pirações decorativas que fiz no meu quarto de algumas semanas para cá.

Enquanto isso fiquem com esse registro do final de tarde que eu teria perdido se tivesse ficado em casa mimizando sobre tudo o que não deu certo na vida até agora. Nesse dia estava batendo perna na SAARA atrás de material para os DIY’s recentes e esse céu me lembrou muito o “céu de inverno” que me acostumei a ver da janela de casa, no Rio Grande do Sul. ❤

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Oscar 2000

Esta era para ser uma postagem no Facebook, acompanhada de um link para um vídeo, mas escrevi tanto e me emocionei tanto ao lembrar de tantas referências que achei melhor trazer para cá 🙂

Chega nessa época do ano, próxima à cerimônia do Oscar e é automático: sempre lembro da adolescência, quando tinha tempo tanto para assistir filmes como para fazer listas do que tinha de mais interessante no mês toda vez que chegava a revista de programação da TV a cabo em casa.

(Eu fazia tabelas elaboradíssimas no word, o que faz cair por terra toda a teoria acerca de eu não ser uma pessoa lá muito organizada)

No dia da festa, era de lei ficar com os olhos grudados na tela da TV até o final. Mesmo que meu pai me mandasse dormir, pois tinha aula no dia seguinte, eu teimava e dava o meu jeitinho de continuar assistindo. Entre 1997 e 2000 foi molezinha, pois foi a época em que morei em Brasília e tinha um quarto – e uma TV – só para mim.

Uma das edições mais memoráveis para mim foi a 72ª edição, em 2000. Se não me engano gravei numa fita VHS [/entregando com força a idade]. Uma das minhas partes favoritas da cerimônia era a apresentação dos clipes temáticos, composto por dezenas de sequências de filmes.

(Preciso confessar que eu invejava fortemente a memória fotográfica do Rubens Ewald Filho, e que sempre tentava “acompanhá-lo” na identificação dos filmes. A cada ano procurava me atualizar, em especial acerca de filmes antigos – paixão antiga na vida: desde meus 13 anos – para ter mais referências do que no ano anterior)

E no ano 2000 houve dois momentos bastante marcantes: um deles foi o clipe com filmes retratando a trajetória da humanidade desde os tempos mais primórdios, em celebração ao novo milênio (ainda que a década e o milênio tenham virado mesmo em 2001):

Teve Chaplin de homem das cavernas, Henry Fonda em As Vinhas da Ira, Charlton Heston abrindo o Mar Vermelho em Os Dez Mandamentos, Mel Brooks e sua versão de Moisés quebrando uma das tábuas, pois supostamente haveriam 15 mandamentos (adoro essa cena e sempre vou rir dela), Stephen Boyd e Charlton Heston disputando a famosa corrida de bigas na versão de 1959 de Ben-Hur, Mel Gibson no papel de sua vida em Coração Valente, Al Pacino e Robert Redford em Todos os Homens do Presidente, JFK, Elizabeth Taylor incrivelmente majestosa em Cleópatra, O Mais Longo dos Dias, O Resgate do Soldado Ryan e Além da Linha Vermelha retratando a Segunda Guerra Mundial, Agonia e Êxtase, sobre a pintura da Capela Sistina, Peter O’Toole em Lawrence da Arábia… e tantos outros atores, personagens e filmes os quais desde muito cedo na vida fizeram brilhar meus olhos, fosse diante da tela da TV ou numa sala de cinema.

O outro momento foi a homenagem da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ao diretor polonês Andrzej Wajda, e aí meu coração polaco (pelo menos 50% dele, senão minha mãe fica com ciúme :P) bateu mais forte ao ouvir aquele idioma que, apesar de até hoje eu não compreendê-lo fluentemente, sempre me soou tão familiar (Mas anotem em seus caderninhos: um dia eu chego lá <3).

Este é o clipe de introdução à sua premiação, com cenas de seus filmes:

Lembro de haver um vídeo do discurso no youtube, não sei se foi retirado ou se não o encontrei por não possuir versão ~~tablet-friendly~~. De qualquer forma, a seguir o discurso de agradecimento de Andrzej Wajda, originalmente feito em polonês <333 (versão em inglês daqui):

“Ladies and gentlemen, I will speak in Polish because I want to say what I think and feel, and I have always thought and felt in Polish. I accept this great honor not as a personal tribute, but as a tribute to all of Polish cinema. The subject of many of our films was the war, the atrocities of Nazism and the tragedies brought by communism. This is why today I thank the American friends of Poland and my compatriots for helping my country rejoin the family of democratic nations, rejoin the Western civilizations, its institutions and security structures. My fervent hope is that the only flames people will encounter will be the great passions of the heart — love, gratitude and solidarity.”

“Senhoras e senhores, vou falar em polonês porque quero dizer o que penso e sinto, e eu sempre pensei e senti em polonês. Aceito esta grande honra não como um tributo pessoal, mas como um tributo a todo o cinema polonês. O tema de muitos de nossos filmes foi a guerra, as atrocidades do Nazismo e as tragédias trazidas pelo comunismo. É por isso que hoje eu agradeço aos amigos americanos da Polônia e meus compatriotas por ajudar meu pais a reingressar à família das nações democráticas, reingressar às civilizações ocidentais, suas instituições e estruturas de segurança. Minha esperança fervente é que as únicas chamas que as pessoas irão encontrar serão as grandes paixões do coração — amor, gratidão e solidariedade.”

Não lembro quando foi a última vez que assisti a essa homenagem, mas ao relembrá-la há pouco, revivi meus 19 anos e a emoção que senti quando a assisti pela primeira vez naquela noite de domingo, 26 de março de 2000. (beijo, Wikipedia!)

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